A Experiência Pascal no Itinerário de São Francisco de Assis:Olhar, Escutar, Sentir e Agir

Em nossa caminhada celebrativa do Ano Litúrgico, estamos no tempo que foca o Mistério central da nossa Fé: o Mistério Pascal. Celebramos o itinerário de Jesus no Calvário: a Paixão, Morte e Ressurreição.


Páscoa, em hebraico PESHAH, significa ‘passagem’. Na Antiga Aliança, celebra-se a passagem da escravidão do povo hebreu no Egito para a libertação e entrada na Terra Prometida. Na Nova Aliança, a passagem da Paixão e Morte de Jesus para a Ressurreição.

A Páscoa não se refere somente ao momento derradeiro da passagem da vida terrena para a Vida Eterna. Mas, podemos situar como experiências pascais todas as situações de vida marcadas por uma passagem de violência, opressão, exclusão para uma nova perspectiva de vida marcada pela libertação, inclusão, o bem viver.


Neste sentido, pretendemos situar a experiência pascal no itinerário vocacional percorrido por Francisco de Assis. Neste encontram-se vários encontros (episódios) que se tornam paradigmáticos no dinamismo duma autêntica experiência pascal, marcados desde um olhar, escutar, sentir e agir com compaixão. Entre os mais emblemáticos situa-se o encontro com o leproso. Francisco mesmo reconhece como marco determinante de passagem duma vida com a mentalidade do mundo dominante para uma vida de penitência. Conforme ele mesmo reconhece na releitura do seu itinerário vocacional percorrido:


“Foi assim que o Senhor concedeu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: como eu estivesse em pecados, parecia-me sobremaneira amargo ver leprosos. E o próprio Senhor me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo se me converteu em doçura de alma e de corpo; e depois, demorei só um pouco e saí do mundo.” (Testamento 1-3)


Francisco faz uma experiência pascal tão vivaz que reconhece a presença viva do Cristo Crucificado no abraço com leproso. Desde então, segue aprofundando seu itinerário vocacional com marcas significativas de experiências pascais. Entre outras, convém situar ainda o episódio do lobo feroz e terrível que aterrorizava a vida dos moradores do vilarejo de Gubio. Francisco vai ao encontro das partes em conflito e com um diálogo marcado por um olhar, escutar, sentir e agir com compaixão consegue apaziguar as relações entre o lobo e os moradores. A experiência pascal neste episódio torna-se eloquente enquanto passagem duma situação marcada por relação de conflito, medo, fome, armamento, violência, morte, para uma nova relação fraternal de cuidado, respeito, partilha, reconhecimento da dignidade e sacralidade em cada ser criado por Deus Criador.


Em nosso tempo, o papa Francisco, retoma no seu pontificado, a experiência pascal de Francisco de Assis como fonte de inspiração, propondo uma Igreja em saída para olhar, escutar, sentir e agir com compaixão no encontro com tantas vidas fragilizadas, violentadas, ameaçadas, destruídas em nossa Casa Comum: o Planeta Terra. Neste intuito, convém acentuar, as encíclicas Evangelli Gaudium e a Laudato Si, como também, a realização do sínodo Pan Amazônico seguido pela Exortação Apostólica Querida Amazônia, propondo novos caminhos para a Igreja e a vivência duma Ecologia Integral.


Que a experiência pascal no itinerário vocacional de Francisco de Assis, através do olhar, escutar, sentir e agir com compaixão continue sendo para nós fonte de inspiração. Sobretudo, neste tempo de dura provação com a extensão da pandemia do corona vírus pelo mundo.

Frei Blásio Kummer, OFM.

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