A vocação do Sacerdote Franciscano

A vocação sempre é um chamado de Deus na vida do ser humano. E o primeiro chamado a vocação de ser sacerdote é como o amor que existe entre um pai e um filho, que há mais de 20 anos não se comunicam e não se enxergam. E quando acontece este encontro, acontece um grande encontro, com um abraço afetuoso. É uma grande alegria que se sente neste momento, é uma alegria que não é meramente alegria externa, mas é uma alegria vivencial aonde o coração pulsa forte. Ou seja, a vocação sacerdotal é um propósito de uma vida entregue à Deus e de serviço aos irmãos e irmãs.

A vocação de sacerdote é uma vocação de serviço ao Povo de Deus, como nos explica a Constituição Dogmática Lumem Gentium (Concílio Vaticano II): “Para apascentar e aumentar sempre o Povo de Deus, Cristo instituiu na Sua Igreja uma variedade de ministérios que tendem ao bem de todo o Corpo. Pois os ministros que são revestidos do sagrado poder servem a seus irmãos para que todos os que formam o Povo de Deus e, portanto, gozam da verdadeira dignidade cristã, alcancem a salvação” (n. 18).

O sacerdote é um grande amigo com Jesus Cristo, possuindo diversas qualidades e potencialidades no seu ser. O sacerdote é configurado a Cristo sacerdote. Também se torna um grande servidor na comunidade eclesial. Dessa maneira, existem os sacerdotes religiosos (ligados a um carisma, ou seja, sacerdote franciscano ligado ao carisma de São Francisco de Assis) e o sacerdote diocesano, ligado a diocese, ao bispo local e trabalha dentro dos limites da diocese.

No início São Francisco de Assis criou uma Ordem de irmãos e os enviou dois a dois, numa vida itinerante, para anunciar a Boa Nova. Porém, desde o início aconteceu que sacerdotes já ordenados, queriam ingressar na Ordem Franciscana. Como por exemplo a chegada de Silvestre (que era sacerdote) e foi aceito na Ordem Franciscana, se tornando, então, Frei Silvestre, sendo assim o primeiro sacerdote franciscano. Também com o passar do tempo, no século XIV, os primeiros franciscanos na Bósnia, conseguiram aprovação do Papa para criar paróquias e nestas paróquias permanecerem para o atendimento pastoral.

Depois deste resgate histórico, descrevo abaixo diversas características referente ao sacerdote franciscano:

Sacerdotes que vivam em fraternidade, pois o carisma franciscano é formado pelo elemento

da Fraternidade. Todos os freis são irmãos, por isso, conviver, rezar juntos, momentos de partilha e convivência fazem parte do carisma franciscano. Dessa maneira, uma fraternidade que esteja disposta a se colocar a ouvir a Palavra de Deus, pois como expressa São Francisco de Assis: escutar a Palavra de Deus que é espírito e vida.

Fraternidade com simplicidade e popularidade: São Francisco de Assis na Saudação às Virtudes nos relata: “Ave, rainha sabedoria, o Senhor te salve com tua irmã, a santa e pura simplicidade” (n. 1). Ou seja, é uma característica franciscana o falar simples, de maneira breve, pois o falar simples é compreendido por todas as pessoas na assembleia. Também os Santos populares franciscanos, nas suas homilias e pregações, usavam experiências de vidas, histórias, contos, crônicas que despertavam a curiosidade na assembleia, ou seja, um caráter de escuta atenta para entender a Palavra de Deus. Porém, tudo isso é realizado na humildade, simplicidade e sem vangloria (Rn B XVII, 6).

Fraternidade eucarística: Existe uma relação entre a Palavra de Deus e a Eucaristia. E a fraternidade franciscana quer vivenciar a Eucaristia como “cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte da qual emana todo o seu vigor” (SC 10). E como nos relata a Admoestação: “Diariamente ele vem a nós em aparência humilde; diariamente ele desce do seio do Pai sobre as mãos do sacerdote” (I, 17-18). Da Eucaristia brota o vigor e o sustento para a missão de cada frade menor.

Fraternidade com o traço da misericórdia – Uma fraternidade e sacerdotes que possam viver a qualidade da misericórdia, pois a misericórdia transforma a vida do ser humano. “Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre” (MV 2).

Fraternidade com o “cheiro das ovelhas”: sacerdotes que estejam junto ao povo, vivendo e acompanhando as suas alegrias, as suas tristezas e as suas esperanças. “Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo (EG 24).

Fraternidade em disposição a uma Igreja em saída: sacerdotes que tomam a iniciativa, de saber envolver-se na vida das pessoas, ou seja, de “primeirear” (EG 24), não ficam esperando, o que vai se suceder. É usar a criatividade, mover-se, ir ao encontro, estar disposto a uma boa conversa em torno do Evangelho.

Fraternidade que anuncia o amor de Deus: estar disponível em levar o amor de Deus. “Compete a todos como tarefa diária: é cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, tanto os mais íntimos como os desconhecidos. É a pregação informal que se pode realizar durante uma conversa, e é também a que realiza um missionário quando visita um lar” (EG 127).

Fraternidade com olhar solidário: Sacerdotes que tenham um olhar de solidariedade, no acompanhamento de pessoas. Como relata o Papa Francisco: “Um olhar solidário para contemplar comover-se e parar diante do outro, tantas vezes quantas forem necessárias. Neste mundo, os ministros ordenados e os outros agentes de pastoral podem tornar presente a fragrância da presença solidária de Jesus e o olhar pessoal” (EG 169). Como também, uma solidariedade que busca uma vida em plenitude para todos os seres humanos, com atividades de solidariedade, paz, caridade e ajuda aos mais necessitados.

Fraternidade do diálogo: Sacerdotes que praticam o diálogo colocam-se numa atitude pacificadora. No diálogo “aprendemos a aceitar os outros, na sua maneira diferente de ser, de pensar e de exprimir” (EG 250). No diálogo ecumênico e inter-religioso existe uma grande riqueza, pois cada um com sua identidade própria, partilha o que é diferente e o que é comum entre os credos, possibilitando atividade em prol do bem comum da sociedade. Como nos relata o Papa Francisco: “A verdadeira abertura implica conservar-se firme nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e feliz, mas ‘disponível para compreender as do outro’ e ‘sabendo que o diálogo pode enriquecer a ambos’” (EG 251).

Portanto, essas são algumas das características do sacerdote franciscano. Dessa maneira, quando olhamos para os freis sacerdotes de hoje, percebemos, por exemplo, que um frei tem quatro dessas qualidades, o outro sacerdote franciscano tem outros cinco diferentes aspectos descritos acima. Pois, como fala São Francisco de Assis, o Frei perfeito é o seguinte: aquele que tem a “fé de Frei Bernardo, que, com o amor à pobreza, a teve de forma perfeitíssima; a simplicidade e a pureza de Frei Leão, que foi realmente de uma pureza santíssima; a cortesia de Frei Ângelo...; o aspecto gracioso e o senso natural com a conversa agradável e devota de Frei Masseu; a mente elevada e em contemplação que Frei Egídio teve até a máxima perfeição; a virtuosa e constante oração de Frei Rufino...; a paciência de Frei Junípero” (EP 85).Ou seja, é no elemento da fraternidade que encontramos a figura frei franciscano e também do ideal sacerdote franciscano.

Frei Tiago Frey, OFM





Referências bibliográficas

Admoestações, Fontes Franciscanas e Clarianas;

Bula Papal Misericordiae Vultus, do Papa Francisco;

Constituição Dogmática Lumem Gentium (Concílio Vaticano II);

Constituição Sacrosanctum Concilium (Concílio Vaticano II);]

Enviados a Evangelizar em fraternidade e minoridade: subsídio para a Pastoral Paroquial, Ordem dos Frades Menores;

Espelho da Perfeição (maior), Fontes Franciscanas e Clarianas;

Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco;

Regra não-Bulada, Fontes Franciscanas e Clarianas;

Saudação às Virtudes, Fontes Franciscanas e Clarianas;

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