Entrevista: Frei José Frey celebra 50 anos de sacerdócio

ENTREVISTA COM OS JUBILARES

Dando continuidade a série de entrevistas com os freis jubilares de 2020 trazemos a entrevista do Frei José Frey, que no último dia 12 de dezembro, celebrou 50 anos de caminhada como padre franciscano. Parabéns Frei José e que Deus continue o fortalecendo na caminhada. Paz e Bem!


Frei José Frey


“Ide pelo mundo e anunciai que o Reino de Deus está próximo”


1 – Onde você nasceu?


Sou filho de Francisco e Josefina Frey sendo o décimo dos irmãos da família. Nasci no dia

17/01/1943 numa localidade muito humilde chamada Mato Alto, interior de Vera Cruz, antes pertencente a Santa Cruz do Sul. Meus primeiros 05 anos vivi em Albardão de Rio Pardo depois migramos para Ferraz, pois meus pais eram meeiros.



2 – Como foi o seu chamado vocacional?


Com certeza não foi uma história muito consciente, mas os fatos foram se fechando. No inconsciente deve ter havido algo que mexeu comigo. Quando o velho vigário (pároco) Padre José Maria Krötz na sua fala mencionou que padre não caia do céu, mas são meninos que vão para o seminário (na época nem sabia que isso existia) depois de estudar e se formar são ordenados padres. Isso foi por conta da ordenação de um jesuíta. Mas a gente como criança continuamos a brincar. Posteriormente apareceu o Frei Vito Mallmann na minha escola e perguntou quem queria ser frei ou padre franciscano. Frei Nelson Müller levantou a mão, a gente era muito amigo pois brincávamos juntos todos os domingos, achei uma boa ideia e também levantei a mão.


3 – Nos descreva a sua trajetória vocacional:


Dia 04 de fevereiro de 1955 rumamos em direção a Taquari. Fomos até Santa Cruz onde Frei Lorenço estava esperando a turma toda com um ônibus especial. Embarquei sem saber direito como seria isso. Na época tinha 12 anos de idade. É claro que durante o tempo do seminário a coisa foi clareando, sem esquecer que houveram muitos momentos de saudade da família e de crises. Em 1964 ingressei no noviciado. Éramos 10 gaúchos e 06 mineiros tendo Frei Estanislau como mestre. 1965 e 1966 fizemos a filosofia em Daltro Filho. Tivemos como professores Frei Cláudio Hummes, Frei Eusébio Martinazzo e Frei Lucas

Corbellini. O RS já estava separado de MG. De 1967 á 1970 realizei os estudos de Teologia em Viamão sendo que no dia 02 de fevereiro de 1970 realizei os votos perpétuos na Igreja Santo Antônio do Pão dos Pobres. Recebemos o diaconato pelo bispo Dom Edmundo Kunz. No dia 12 de dezembro de 1970 recebi o ministério sacerdotal junto as festividades de Nossa Senhora de Guadalupe.

Depois de ordenado fui fazer companhia ao Frei Arno Guaragni no Seminário São Pascoal em Três Passos. Em 1972 fui trabalhar em Panambi. Em 1974 voltei para a Paróquia Santa Inês em Três Passos onde fiquei até 1978 quando passei a integrar a Equipe das Missões Populares. Entre idas e voltas acabei trabalhando 25 anos como missionário na equipe das missões. Em 2017 fui morar em Rio Grande. Em agosto daquele ano acabei sofrendo uma grande cirurgia. Este ano eu estava residindo no provincialado e em abril acabei indo auxiliar nas paróquias de Alegria e São José do Inhacorá para substituir o Frei Renato por motivos de saúde. Ainda gostaria de recordar que entre 1993 e 2004 realizei uma experiência em Minas Gerais junto a uma diocese. Para mim não deixou de ser um tempo especial de missões.


4 – Quais os maiores desafios que enfrentaste na caminhada?


O primeiro foi a separação das províncias. Foram momentos de muita dificuldade inclusive financeira. Tínhamos um forte vínculo e ajuda dos nossos irmãos fundadores holandeses.

Depois da separação este vínculo, especialmente financeiro, acabou nos deixando em fortes dificuldades de sustentabilidade. Também recordo a dificuldade de se adaptar na cidade grande. Um guri vindo da colônia.



5 – O que você destacaria do carisma franciscano:


Fugindo um pouco da rotina e chavões, acredito que o carisma franciscano para concretizar o Evangelho é ser desprendido do lugar, de si mesmo e dos bens. É viver com simplicidade e alegria. Respeitar o ser humano e a natureza. Auxiliar os mais necessitados da humanidade. Como Francisco, sentir a presença de Deus nas pessoas e ser a presença de Deus no seu convívio. Mesmo diante de todos os sofrimentos e dificuldades nunca perder a esperança.


6 – Deixe um recado para os jovens vocacionados:


Jovens, se eu fosse jovem, novamente iria tomar esse caminho de novo. Apesar das dificuldades (quem não as tem em todos os campos da vida) vale a pena escolher. Se você acredita no amor e no bem é um dos caminhos que você pode realizar. Se você acredita no Reino de Deus, Deus está chamando você para vivê-lo e testemunhá-lo. Seja corajoso e valente. Precisamos de jovens com entusiasmo na vida e contamos contigo.


Frei José Frey OFM




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