Frei Paulo Maia participa de missão em Brumadinho

No início do mês de março, Frei Paulo Maia, realizou uma experiência missionária em Brumadinho (MG). Seguindo o exemplo de São Francisco de Assis o frei visitou famílias e comunidades na região conferindo de perto a triste realidade daquela parcela do Povo de Deus. Segue o testemunho do Frei Paulo Maia:


"Lágrimas, dor, esperança, luta e justiça: “Eles sabiam que ia romper”!

Um chamado, uma missão se apresenta, ir ao encontro de corações despedaçados, de uma natureza exuberante, agora banhada em lama e lágrimas. Somar ao trabalho de tantos irmãos e irmãs que lutam por justiça, levando esperança em meio a tanto desespero, um pouco de alegria franciscana em meio a tanta tristeza.

O rompimento da barragem da Vale (mineradora multinacional brasileira) em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no início da tarde do dia 25 de janeiro de 2019, causou uma grande avalanche de rejeitos de minério de ferro. A Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão desabou, e a lama atingiu a área administrativa da Vale, bem como a comunidade da Vila Ferteco, deixando um grande rastro de destruição e dezenas de mortes.

Todo o mundo se voltou para Brumadinho diante de um crime sem medidas causado pela mineradora Vale. Assim comovido e impelido pelo Espirito Franciscano fui enviado pela Província São Francisco de Assis do RS e pelo MPA ( Movimento dos Pequenos Agricultores) a somar na luta junto ao MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e outros voluntários na luta com o povo.

Minha missão teve em primeiro lugar ser uma presença franciscana religiosa de escuta, de levar alegria a tantos corações despedaçados. Encontrei mães, amigos, irmãos, pais, primos, vizinhos, idosos, ... chorando a morte de seus entes queridos. É inarrável o sentimento que paira no ar, no coração e na mente de tantos irmãos e irmãs que sofrem, pela perda de familiares, amigos, pela morte do Rio Paropeba, de plantas, peixes... onde havia vida, beleza do criador, vida em abundancia, hoje se vê lama, resultado de uma busca feroz de dinheiro, produção, progresso.

Em segundo lugar somar na luta dos movimentos sociais que ali se encontravam na organização do povo para que haja justiça. Confesso que meu coração voltou um pouco despedaçado. Vibrei com jovens vindos de várias partes do Brasil, estudantes de Direito, agricultores, donas de casa que deixaram tudo para ajudar a quem mais precisava. Dói demais ver tamanha destruição, mas dói muito ver a luta por justiça sendo oprimida por uma empresa que rouba a riqueza do povo, e que semeia discórdia nas comunidades, que busca comprar pessoas com celulares, ranchos, mentiras, para que o povo não se organize e lute pelos direitos, pela vida, pela natureza.

São toneladas de minerais passando em frente as comunidades pobres, onde olhos de

crianças, jovens vem o progresso que não chegou, resta apenas o barulho do trem com seus muitos vagões a passar a todo momento diante de seus lares, igrejas hortas sem trazer nenhum desenvolvimento para a comunidade local.

As vozes eram unanimes em gritar “A Vale não vale nada” “Assassina” “Eles sabiam que ia romper”.... Dói demais saber que calculavam a morte das pessoas, do rio, da natureza. Não tem palavras para descrever tamanha maldade. São mães vagando pelas ruas a procura de um abraço, de alguém que as escute, que as permite chorar. O que consola é ouvir dos lábios de uma mãe que a morte de sua filha serviu para alertar e despertar para o perigo que tantos inocentes correm com barragens que estão por estourar. “Por favor, me abrace, para que eu possa aguentar a dor no meu peito e esperar o dia de poder abraçar minha filha quando Deus me chamar” Disse a outra mãe. Contemplar o olhar triste de seu carlos de 72 anos do alto da montanha em frente a Comunidade São Cristóvão tentando buscar alguma explicação do porque toda essa destruição.

“Bruma de Brumadinho se foi embora, seu povo chora porque dói demais. Cada olhar é lágrima, nuvem que pesa, mas a gente reza implorando paz” (letra de Dom Vicente Bispo auxiliar de Brumadinho).

Deixo o apelo para que as vozes não sejam caladas por uma Vale que não vale nada, que mata vidas e natureza, que destrói em nome do lucro desacerbado. Não importa onde você esteja, volte teu olhar para Brumadinho, e que haja justiça contra tanta insensatez que destruiu tanta vida sagrada e que não para aí, continua destruindo, são muitas famílias tiradas de seus lares, ou que vivem um tormento dia e noite, pela destruição ocorrida ou pela destruição eminente de tantas barragens que estão em risco de estourar.

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz, de esperança e amor. Paz e bem!"


Pe. Frei Paulo André Maia.


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