São Francisco de Assis e a dignidade da Criação

Ao celebramos a Solenidade de nosso pai São Francisco, recordamos com mais intensidade e carinho toda a Criação que o Santo de Assis soube contemplar. Destacamos o Cântico das Criaturas, composto em três momentos. A primeira parte, que vai do Sol até à Terra, foi escrita, no mês de abril de 1225, na primavera. A segunda parte, que fala do perdão, foi escrita em maio ou junho de 1226. E por fim, em setembro de 1226, antes do Trânsito (dia 03 de outubro), Frei Francisco, compõe a estrofe da “irmã morte”. O Cântico é um hino de louvor que pacificamente e harmoniosamente permite a vivência de todas as criaturas, vejamos:


Altíssimo, onipotente, bom Senhor, teus são os louvores, a glória, a honra e todas as bênçãos.

Somente a Ti, ó Altíssimo, eles convêm, e homem algum é digno de mencionar-te.

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão sol, o qual é dia e por ele nos aluminas. E ele é belo e radiante com grande esplendor, de ti, Altíssimo, traz o significado.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, no céu formastes claras e preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento e pelo ar e pelas nuvens e pelo sereno e por todo o tempo, pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde e preciosa e casta.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite: e ele é belo e agradável e robusto e forte.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz diversos frutos com coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo teu amor e suportam enfermidade e tribulação.

Bem-aventurados os aqueles que as suportam em paz porque, por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar. Ai daqueles que morrem em pecado mortal: bem-aventurados os ela encontrar na tua santíssima vontade, por que a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei ao meu Senhor, rendei-lhe graças e servi-o com grande humildade. (FONTES FRANCISCANAS, 2004, p. 104-105).


O mais antigo manuscrito do Cântico é da segunda metade do século XII, encontra-se na biblioteca de Assis. Escrito em dialeto Úmbrio. É por isso que Francisco é considerado o primeiro poeta italiano. As realidades cósmicas são celebradas com uma riqueza afetiva e onírica, que inconscientemente estão tramadas. A obra é simples. Não tem nenhum conflito. É uma afirmação serena de fraternidade universal. Tudo é direto, claro e luminoso.


Francisco acabara de receber em sua carne os estigmas que o assemelhavam ao Cristo crucificado. A vida de Francisco estava no seu crepúsculo. Mais de cinquenta dias sem suportar a luz do sol nem o fogo durante a noite. Para agradecer ao Criador, no dia seguinte, compôs o louvor pelas criaturas. Francisco há oito séculos já intuiu que o equilíbrio ecológico está no amor.


O louvor a Deus no Cântico do Irmão Sol, é um convite para o cuidado responsável e consciente de cada uma das criaturas deste cosmos. No caminho espiritual de Francisco, louvar é reconhecer e dar-se conta da presença do Deus Trindade em cada ser criado. Logo, glorificar a Deus, louvando a criação é um compromisso e uma responsabilidade de cada ser humano, é defender a vida em todas as suas formas.


Frei Jorge Luis Huppes, OFM.

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