Entrevista com Frei Armando Mariani que celebra neste ano 25 anos de Vida Sacerdotal

Seguindo a nossa série de entrevistas com os freis jubilares de 2020, na última edição do fradezinho, publicamos a entrevista do Frei Armando Mariani que neste ano celebra 25 anos de ordenação presbiteral. Compartilhamos a entrevista aqui no blog das vocações franciscanas e parabenizamos nosso irmão Frei Armando pelo testemunho de vida junto ao Povo de Deus nestes 25 anos de serviço como padre franciscano. Boa Leitura!


1 – Onde você nasceu?

Sou Frei Armando Mariani, nasci em Pouso Novo, na época pertencente ao município de Arroio do Meio RS. O local onde nasci é montanhoso e com inverno marcado por muita

neblina, meus pais trabalhavam na roça, eu como filho mais velho e logo em seguida minha mana, desde muito pequenos éramos levados juntos e deixados sob árvores, enquanto os pais exerciam as suas funções na lavoura. Desde muito pequenos tínhamos atividades como: dar de comer e beber aos porcos, cuidar de galinhas, bezerros, cachorro... Nossa família era pobre e todo o trabalho de meus pais voltado para o pagamento da terra que haviam adquirido, pois os juros eram muito elevados. Ao chegar o tempo de ir para a aula caminhávamos dois quilômetros para ir e dois para voltar passando por um córrego que quando chovia muito não era possível passar e tínhamos que esperar baixar para chegarmos em casa. No final do terceiro ano primário, nos mudamos para a casa dos avós maternos, na vila, pois era necessário que alguém pudesse cuidar deles. Para isto o Frei Vito auxiliou nossa família dizendo ao pai que poderia ir e não lhe faltaria trabalho pois ele o encaminharia. Nesta nova etapa de vida meu pai começou a trabalhar na construção civil e logo se tornou autônomo, e como disse o Frei, nunca faltou serviço. Em seguida continuando meus estudos passei a auxiliar o pai nos serviços durante meio turno.

2 - Como foi o seu despertar vocacional?

Durante este período várias coisas me chamavam a atenção: a questão do cuidado da criação; a questão dos pobres, pois minha mãe sempre se preocupava e partilhava algo com eles; a vida em comunidade, pois desde que me conheço por gente sempre participávamos das missas aos domingos e meu pai trabalhava na coordenação da paróquia (fabriqueiro); do frei Gervásio que passava de hábito pela paróquia juntando donativos para o seminário e era sempre sorridente; mais tarde também com a vinda do promotor vocacional Frei Timóteo que passava nos colégios ... Além deles também ouvi algumas vezes Frei Antônio Mariani falando das missões. Estas questões mexiam comigo.

3 – Conte-nos um pouco da sua trajetória vocacional:

Em 1977 em uma visita de frei Timóteo à escola preenchi uma ficha dizendo que gostaria de ser frade. Na época me passou uma revista em quadrinhos sobre a vida de São Francisco, a qual gostei muito. No ano seguinte ele visitou nossa casa, buscando conhecer

melhor a mim e minha família, mas devido a sermos apenas dois irmãos ele disse que seria melhor eu não ir, pois meus pais precisavam de mim. Em 1979 com a troca do promotor vocacional novamente manifestei minha intenção de ser frade. Frei Aloísio em visita aos pais perguntou o que os mesmos pensavam disso, meu pai respondeu: se ele quiser pode ir, caso não queira permanecer também pode voltar. Desta forma em janeiro de 1980 fiz estágio em Daltro Filho e ingressei no seminário em março.

Permaneci três anos em Daltro Filho, tinha o desejo de ir para Agudo, mas os formadores disseram que eu deveria ir a Taquari para o ensino médio e postulantado. Em 1986 fiz meu postulantado, tendo como mestre o Frei Lotário, pessoa muito humana e com o apelido de “boníssimo”. Fomos muito desafiados por ele para fazermos uma experiencia com Deus no dia a dia de nossa caminhada. Nos momentos em que havia sobra de produtos na horta ele nos convidava a sair com um carrinho de mão vendendo os produtos pelas ruas de Taquari. Seu modo de vida e testemunho me inspirou muito para ser missionário.

Em 1987 com um grupo de 10 pessoas iniciamos o noviciado em Daltro Filho tendo como orientador Frei Aloisio Dilli, foi um período de vida intenso, com trabalhos, oração e estudos franciscanos.

No ano seguinte 1988 em Ipanema, Porto Alegre, iniciamos o curso de Filosofia que acontecia em Viamão. Primeiramente surge o desafio para alguém do interior se adaptar ao mundo urbano e também à faculdade. Além disso já estava em curso uma discussão sobre a inserção dos estudantes de filosofia nas periferias da cidade. Para isto, fomos desafiados a estudar e justificar o porque desta opção e logo em seguida buscarmos possíveis locais para moradia. Em 1989 meu curso passou a morar na Chácara dos Bombeiros e atuar pastoralmente também na Vila Vargas, região do Morro da Cruz, neste período também cultivava o sonho de ser missionário na África. Permaneci neste local até o final de 1993 ano em que fiz minha profissão solene juntamente com Frei Blásio e João Elídio, o qual mais tarde veio a desistir. Neste período participei do serviço de Justiça paz e ecologia.

Em 1994, ano de estágio, durante o curso de teologia, fui convidado a morar em Gravataí , na Fraternidade os Três Companheiros. Tempo de muitos desafios pastorais, de como nos mantermos, pois não tínhamos salário e além do mais pagávamos aluguel. Foi um tempo de buscar alternativas, passamos a trabalhar na limpeza de pátios, pintura de casas...Em 1995 fui ordenado sacerdote, mantendo o meu sonho de ser missionário.

Em 1999 fui transferido para Lomba do Pinheiro, Porto Alegre, onde além dos desafios pastorais eu fazia parte do definitório com a missão de coordenar a evangelização da província. No final de 2003 fui transferido para Horizontina, uma mescla de realidades, urbana e rural. Foi um tempo de muitos desafios, mas com a graça de Deus, superados. A dinâmica da paróquia com visitas e formação me despertava ainda mais o desafio de ser missionário. Neste período também fiz uma pós em Petrópolis sobre a dimensão transversal da ecologia, teologia e educação.

Em 2008 com a perspectiva da CFMB de abrir uma nova fraternidade na região amazônica, fui nomeado para conhecer e buscar, locais juntamente com os frades desta região. Em visita a Fraternidade de Boa Vista RR, me deparei com uma realidade complexa e desafiadora, um número de frades reduzido para o tamanho dos desafios. A partir deste momento passei a morar nesta fraternidade. Após muitos anos, parte de meu sonho de ser missionário realizou-se, só tenho a agradecer a Deus e aos irmãos que facilitaram esta minha experiência durante nove anos. Acabei retornando para poder permanecer um pouco mais perto dos meus velhos pais que enfrentam problemas sérios de saúde. Hoje estou morando novamente em Gravataí.

4 - Quais os principais desafios enfrentados na caminhada?

Na caminhada os desafios foram muitos, em especial no que se refere as questões de

inculturação, de compreensão da realidade onde fui enviado. Desafios de compreender o diferente, a diversidade de cada fraternidade e local.

Como Franciscano sinto-me desafiado a viver como peregrino, de forma simples , fraterna e justa, o que faz parte do nosso carisma. Também sinto o grande desafio de viver em uma Igreja voltada para os sacramentos e transforma-la em uma forma de vida proposta pelo Evangelho.

5 - O que chama mais atenção no carisma franciscana?

O carisma franciscano é de uma riqueza imensa e certamente inesgotável, possibilita a cada um dos seus seguidores uma infinidade de opções, de atuações junto as realidades mais diversas, basta que tenhamos vontade de conviver e deixar o Evangelho atuar em nós.

6 – O que você diria aos jovens que desejam seguir a vida religiosa franciscana?

Aos que desejam seguir a vida religiosa como franciscanos(as) quero dizer que venham de coração aberto e com a certeza de que Deus nos ama, nos chama e nos envia. Os

momentos difíceis também vão aparecer, mas fazem parte da vida de todos nós e também o Filho de Deus passou por isso. Cristo não veio a este mundo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida.

Nestes vinte e cinco anos de sacerdócio procuro lembrar sempre do tema de minha ordenação: “ O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”.(Lc 4, 18-19) Agradeço de todo coração aos meus irmãos confrades e a todos aqueles(as) que sempre me apoiaram, incentivaram e rezaram por mim e pela missão que Cristo nos confiou.



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